Confronto com a GCM deixa feridos na favela do Moinho, em SP



A favela do Moinho, na região central de São Paulo, foi palco de mais um protesto na noite desta quinta-feira. Moradores e guardas civis ficaram feridos.
Segundo moradores, a confusão começou quando homens da Guarda Civil Metropolitana tentaram impedir que moradores construíssem novos barracos na área onde ocorreu um incêndio, na segunda-feira (17).


Os moradores, que acusam os guardas de truculência, revidaram com paus e pedras.
"O pessoal estava tentando reconstruir umas casas e a prefeitura não deixou, pois há risco de placas de concreto caírem do viaduto [Orlando Murgel, interditado após o incêndio]. Aí o pessoal se revoltou e apedrejou nossos carros. Três guardas ficaram feridos com pedradas e foram encaminhados para hospitais", disse Jovelino Eduardo Junior.
A GCM usou bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha para conter o protesto. Ao menos cinco moradores mostraram à reportagem ferimentos pelo corpo.
"Fui apaziguar a briga e os guardas me empurraram, deram um tiro na minha perna e jogaram uma bomba no meu pé", disse a moradora Alessandra Moja Cunha, 28.
Segundo os moradores, um homem conhecido como Carioca foi baleado com dois tiros na perna e precisou ser encaminhado ao pronto-socorro da Barra Funda.
A GCM diz que não foram usadas armas de fogo. A Polícia Militar, inclusive homens da Tropa de Choque, foi acionada, mas não chegou a se envolver no confronto. A polícia disse que um representante da GCM foi ao hospital para checar o estado de saúde do homem baleado.

MURO
Por volta das 20h40, os moradores fecharam a entrada favela pela rua Elias Chaves com móveis velhos e carroças.

O líder comunitário Humberto José Marques Rocha diz que prefeitura está tentando isolar uma área ao redor do viaduto maior do que o necessário. Eles temem que sejam colocados tapumes para a construção de um muro definitivo.
A GCM informou que precisava entrar no local para fazer uma vistoria de segurança, mas fez um acordo para evitar conflitos por volta das 22h. "Fizemos um acordo verbal para que os moradores não construam nada e a gente não vai tentar entrar enquanto o acordo for cumprido", disse o guarda Adenilson Moreira Santos.

SUPLICY
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chegou ao local pouco antes das 22h. Disse que foi acionado pelos moradores, pois conhece a favela desde o incêndio que ocorreu em 23 de dezembro.

Ele reuniu cinco moradores que ficaram feridos ao lado de um grupo de guardas civis, e questionou o motivo dos ferimentos. "Vim perguntar para a GCM porque isso foi feito, porque dessa violência", disse. Os guardas disseram que eventuais excessos serão apurados.
Questionado sobre a campanha do candidato petista Fernando Haddad, que foi criticada por gravar imagens do incêndio na segunda, Suplicy disse que não estava ali por motivos eleitorais.


FELIPE SOUZA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Atualizado às 22h39.

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