Moradora da Barra Funda sente falta do terminal

Aparecida Moresco, que viveu 7 meses na rodoviária, já leva nova vida em um albergue no Canindé
Após sete meses morando no Terminal Rodoviário da Barra Funda, a aposentada Maria Aparecida Moresco, de 58 anos, tenta se adaptar a uma nova vida no Centro de Acolhida Vivenda da Cidadania, no Canindé, na Zona Norte da capital. De banho tomado e com um longo vestido, ela recebeu a equipe do DIÁRIO, que foi encontrá-la no albergue no domingo.
O DIÁRIO mostrou neste domingo que Aparecida, doente e solitária, vivia desde janeiro no Terminal da Barra Funda, em uma rotina que faz lembrar o filme “O Terminal”, com o ator Tom Hanks. Após o contato da reportagem, agentes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social a levaram para o centro de acolhida por volta das 22h de sexta-feira.
Leito 53/ “Eles disseram que ia ser bom para mim e entramos em acordo”, conta Aparecida, sentada em uma cadeira ao sol. É assim que ela tem gostado de passar a maior parte do tempo. “Sinto frio, passei muito tempo dentro da rodoviária”, justifica.
O seu leito é o 53 do quarto Lírios, número 8, mas o seu corpo ainda não se acostumou com a cama. “Na primeira noite dormi bem. Na segunda eu dormi sentada porque a perna incomodava”, diz. Ainda receosa, ela diz não ter feito amigos, mas tem conversado com pessoas no local. “Tem uma senhora na cama aqui em frente que parece muito inteligente.”
Saudades do terminal/ Lá, entre 6h e 7h, ela pode tomar o café da manhã. Às 12h, é servido o almoço e às 18h, o jantar. “Estou sendo bem tratada aqui, mas eu não posso passar o dia esperando por almoço e jantar”, conta Aparecida, que confessa sentir falta do terminal. “Estou com saudade da rodoviária inteira. Do movimento, do café, da livraria onde eu comprava o jornal, dos rapazes da Socicam (empresa que administra o terminal)”, enumera.
De acordo com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, nesta segunda-feira Aparecida será atendida por assistentes sociais, que farão o levantamento do histórico dos atendimentos dela nas unidades de saúde do município. Aparecida será encaminhada ao médico. Se ela recusar o tratamento, o Ministério Público poderá ser acionado, caso a vida dela esteja em risco. A secretaria promete tentar localizar os parentes dela.

Formada em ciências sociais pela PUC, Aparecida deseja retomar a vida. Ela, que já trabalhou no atendimento à população de rua pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, sonha em um canto dela para receber suas visitas e em dar ideias de enredo para a escola de samba Mocidade Alegre. “Se você acha que só precisa de uma cama e um prato de comida é porque já desistiu”, diz. Aparecida parece bem longe disso.
Diário de São Paulo 27/08/2012 07:32

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