Vizinhança se incomoda com quem dorme na rua

A presença de moradores de rua nas vias próximas aos albergues incomoda os vizinhos. "No domingo, passava por aqui quando um rapaz começou a mexer comigo. Fui embora rapidamente. Não posso negar que dá medo ver essas pessoas todas reunidas", afirma a babá Vanessa Edissa, 27 anos, que atravessa todos os dias o Viaduto Pedroso, na Bela Vista, região central.
Para o administrador hospitalar Adaílton Roberto Tavares, de 28 anos, a falta de vaga nos albergues municipais é evidente, quando se vê a quantidade de pessoas nas ruas. "Difícil imaginar que a maioria rejeite uma cama quente e alimentação. A situação deles incomoda e é incompreensível que vivam assim."
A maranhense Maria Consuelo Rego, de 45 anos, chegou há 30 a São Paulo e lembra que a maioria das pessoas que vive nas ruas não teve as mesmas oportunidades que ela, hoje bem empregada como recepcionista. "Não são pessoas ruins. Elas vieram para São Paulo em busca de melhoria, porque havia essa chance. Não conseguiram se acertar e agora estão nessa situação. Deveriam ser preparadas para o mercado de trabalho", diz.
No Brás, quem mora nas proximidades do número 3.300 da Avenida Celso Garcia vive perto de duas unidades do albergue São Camilo. "Eles dormem em pontos de ônibus e as calçadas amanhecem cheias de fezes. É desagradável", afirma a comerciante Ana Lúcia, de 24 anos.
Para moradores e comerciantes de regiões próximas a albergues, nem todos os moradores de rua se sujeitam às regras das instituições, que proíbem consumo de bebidas alcoólicas e drogas e exigem o banho diário. Por isso, muitos preferem ficar na rua.
William Cardoso - O Estado de S.Paulo
16 de maio de 2011 | 0h 00
Vizinhança se incomoda com quem dorme na rua Vizinhança se incomoda com quem dorme na rua Reviewed by Juan on maio 16, 2011 Rating: 5

3 comentários

  1. Anônimo16/5/11

    A verdade é que não existem vagas disponíveis nos Centros de Acolhida da Cidade de São Paulo para todas as pessoas em situação de rua que desejam serem acolhidas!

    ResponderExcluir
  2. Joanna17/5/11

    Falta tudo: desde banheiros públicos até vagas nos Centros de Acolhida! Até quando a PMSP e a Smads vai continuar desrespeitando os direitos da população em situação de rua? A gente telefona na Cape e os atendentes dizem que não há vagas! A Sra. Secretária da Assistência não abre vagas, somente fecha!
    Fora o número pífio de Cras na Cidade de São Paulo! 31?! O que é isso? Somos uma metrópole!

    ResponderExcluir
  3. Anônimo17/5/11

    A questão é séria demais, há pessoa sendo mortas nas ruas por falta de acolhida... A Prefeitura sabe que existe desde que o mundo é mundo estações do ano, e nunca se prepara para as emergencias do tempo frio. Este ano se complicou mais porque não é possivel aumento de vagas quando os serviços são fechados... Gente é visivel as pessoas nas ruas. Incomoda não só a presença, mas dói ver seres-humanos passando privação porque a cidade não é protetiva o suficiente...

    ResponderExcluir

Muito obrigado pelo seu comentario