Série Invisíveis retrata situação de crianças que moram nas ruas

Reprodução / TV Globo

Eles estão nas praças, nos sinais, nas calçadas... Mas tem muita gente que ainda não consegue enxergá-los; a série Invisíveis mostra a vida sofrida dessas pessoas que tomam conta das ruas e são motivo de medo e pena

Invisível, de acordo com o dicionário, é algo que não se pode ver. É sinônimo de algo de que não se tem conhecimento. Invisível pode ser, também, aquilo que se esconde, o que não se deixa ver. Na prática, aquilo que a gente tenta esconder quando fecha o vidro no sinal. Sim, aquelas pessoas são invisíveis aos olhos de muitos. Possivelmente porque não têm nada de digno e bom para mostrar.

A professora Elozita de Alcântara é uma das pessoas que fecha o vidro. Por que? “Com medo, porque eles podem me ameaçar e roubar”, diz. Perto dali, uma garota de 15 anos, carrega um tubo de cola debaixo da roupa e leva a vida assim há quatro meses. “Roubava antes. Agora eu não roubo mais não”, revela, e acrescenta que só usa cola, cigarro e maconha.

Aos 12 anos, Luan vive nas ruas, como tantos outros garotos de sua idade : “Minha irmã mora na UR-3 e meu pai mora lá em Caruaru. Minha irmã ‘botou eu’ aqui”. A mãe dele está em Teresina, no Piauí. Já Rodrigo, de 11 anos, fugiu da casa da única parente que restou: “Minha tia 'dava' em mim”. Ele conta que perdeu o pai e mãe. Para os especialistas, aí é que está a questão:  famílias em pedaços.

Por trás de cada pequena tragédia escondida num um tubo de cola ou de um rodinho nos sinais há alguém - ou muitas pessoas - que não tiveram o direito de ser amadas justo por quem é responsável pelo fato de elas estarem no mundo.

Alessandra Maria da Silva, 29 anos, tem sete filhos: todos espalhados por sinais do Recife. “Para mim faltou família. Abraço de pai, abraço de mãe. Coisa que é o que eu dou aos meus filhos. Até se eu tivesse 15, aqui, que tivesse tudo comigo, ‘tá’ entendendo?”, conta.

Ela conta que já recebeu propostas para vender os filhos. Mas ela não abre mão dos únicos tesouros que tem: “Já teve gente aqui de parar o carro e me mostrar R$ 500, R$ 5 mil para me dar, para ficar com os meus filhos. E eu não quis. Nem quis e nem quero”.

Nas ruas, ainda há pais e mães que dão o amor que conseguem e tentam oferecer o que não têm condições de dar: educação, aconchego e limite. Desse conjunto frágil de esforços brotam os meninos que vemos todos os dias no sinal. Gente pequena que se sente muito forte no aprendizado mais perigoso que poderia ter: o das ruas.

“Ele é jovem e o jovem acha que pode tudo. Ele vai está liberado geral, porque ele pode tudo”, diz o conselheiro tutelar Iran Santos (foto 5). “Não tem ninguém que me freie. Eu tenho a juventude ao meu favor, eu tenho saúde, eu tenho duas pernas para andar... Eu tenho braços e olhos pra enxergar. Eu vou fazer o que dá na telha”. É assim que a maioria deles pensa.

E o que nós, cidadãos, o serviço público, os parentes - mesmo distantes desses meninos - temos a ver com isso? É o que vamos ver na série “Invisíveis”, que será exibida durante esta semana no NETV 1ª Edição.

Da Redação do pe360graus.com

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