Case: Adolescentes em Medidas Socio Educativas lançam CD de rap

O CD tem 17 faixas escritas e cantadas pelos adolescentes. No evento de lançamento também foram expostos trabalhos de grafite e fanzines.

A arte, em suas múltiplas formas de manifestação, tem sido um dos caminhos trilhados no trabalho de ressocialização e recuperação de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em Minas Gerais.

Assim como ocorre com o trabalho e o estudo, adolescentes têm encontrado na dança, na pintura e na música a motivação para mudar o rumo de suas histórias.

O lançamento do CD de rap “Cadê meu desligamento? Retratos de liberdades e juventudes”, que foi realizado nessa quinta-feira (17), no Centro Cultural Lagoa do Nado, comprova o sucesso da iniciativa.

Com canções feitas por adolescentes que estão cumprindo medida socioeducativa de semiliberdade em Belo Horizonte, o CD, com 17 faixas, traz títulos como “A favela pede paz”, “O crime não presta” e “Infância frustrada”.

Realidade
Só pelo nome, a música “À espera do desligamento” já indica que o disco reflete a realidade desses adolescentes escrita e cantada por eles mesmos. O CD é fruto da oficina de rap realizada, desde novembro do ano passado, por meio de uma parceria entre o Instituto Ajudar, que tem um convênio com a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), e o Lagoa do Nado.

As oficinas, que foram promovidas nas sete casas de semiliberdade e no próprio parque que serviu de palco para o lançamento, envolveram cerca de 30 adolescentes. O curso utilizou temas e situações relacionadas a três etapas da vida dos jovens: o período anterior ao cumprimento da medida socioeducativa, a relação deste jovem com a justiça durante o cumprimento da sentença e, por fim, as expectativas após o cumprimento da medida.

Reflexão
Para a superintendente de Gestão de Medidas em Meio Aberto e Semiliberdade, Ludmilla Feres Faria, a pergunta sobre o desligamento, tema das oficinas e do CD, é primordial para os jovens que estão cumprindo medida socioeducativa. “É importante que eles saibam que há esse momento de questionamento. O final é quando eles conseguem responder, entre outras coisas, porque cometeram o ato. Pintando, cantando, eles podem construir uma resposta”, explica.

O educador social Flávio Paiva, conhecido como Russo, que ministrou a oficina, conta que o CD é uma prova de que os adolescentes têm capacidade e que, com dedicação, conseguem atingir seus objetivos. “No entanto, é apenas um produto, o meio da atividade e não o final. O principal é que a visibilidade através do crime perde espaço para a visibilidade através da arte”, afirma.

Um adolescente de 17 anos, que cumpre medida socioeducativa na Casa de Semiliberdade São Luiz, conta que a produção do disco foi um exercício de superação. “Achamos que não íamos conseguir. O Russo, porém, mostrou que obstáculos na vida a gente sempre tem. O rap não é má influência, mostra a realidade”, disse.

Outro adolescente, de 18 anos, conta que sua música é o relato de sua própria história. “Falo, através do rap, sobre como é minha vida e como foi minha entrada no crime. A oficina me ajudou a ter força de vontade e disciplina”, relata.

Grafite
No evento de lançamento do CD, foram expostos trabalhos em grafite e distribuídos fanzines (espécie de livretos) feitos pelos adolescentes em oficinas. Para Ludmilla Faria, expor os trabalhos traz um sentido maior àquilo que os adolescentes produzem durante o ano. “Ninguém pinta, escreve, sem pensar que é importante que o outro veja. É fundamental que o trabalho possa ser exibido em espaços de convivência, para os adolescentes verem que aquilo que eles fazem tem valor”, diz.


Divulgação/Seds MG
Agência Minas

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