População de rua da capital supera a de metade dos municípios paulistas

Segundo censo da Fipe, 13.666 pessoas vivem sob marquises, viadutos e em albergues - um número 57% maior que há dez anos

01 de junho de 2010
 Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo

O total de pessoas vivendo em situação de rua na capital supera o número de habitantes de mais da metade dos 645 municípios paulistas. Moram nas ruas da cidade ou dormem em albergues municipais 13.666 pessoas, população maior do que a de 328 municípios.
Os dados do censo da população de rua de São Paulo, feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), foram divulgados ontem pela Secretaria Municipal de Assistência Social, que contratou a pesquisa. O trabalho de campo foi feito entre novembro e dezembro de 2009.
Nos últimos dez anos, o total de pessoas que vivem em situação de rua em São Paulo cresceu 57%. Entre aqueles que estão em situação de rua, 7.079 pessoas (51,8%) dormem em albergues municipais, enquanto 6.587 (48,2%) pessoas vivem ao relento nas ruas da cidade. Em 2000, o total de pessoas que viviam em situação de rua era de 8.706. Proporcionalmente, havia menos pessoas em situação de rua vivendo em albergues: 45,7%.
Atualmente, existem 8.200 vagas em 41 albergues. A Prefeitura pretende abrir 1.200 vagas até o fim do ano. Para a secretária de Assistência Social, Alda Marco Antônio, a pesquisa mostra a necessidade de criar políticas pré e pós-albergues. "Não faltam vagas em albergues. O que precisamos é conseguir levar essas pessoas para os albergues, o que fazemos por meio das tendas, equipamentos diurnos que aumentam o contato de educadores com moradores de rua. Depois de albergados, vamos incentivar repúblicas de moradores de rua, casas alugadas que estimulam a autonomia dessas pessoas.", Existem atualmente duas tendas e a Prefeitura promete mais cinco até o fim do ano. Vivem em sete repúblicas 140 pessoas.
Sé e República. Entre os que vivem nas ruas, 2.675 (41,9%) dormem nos arredores das Praças da Sé e da República. De acordo com o estudo da Fipe, apenas dez distritos não registraram nenhum morador de rua (Anhanguera, Grajaú, Iguatemi, Jardim Ângela, Marsilac, Parelheiros, Parque do Carmo, Pedreira, Raposo Tavares e São Rafael). Entre aqueles que vão para os albergues, 2.933 ficam nas regiões de Mooca, Santa Cecília e Pari. Na área central, a pesquisa do perfil socioeconômico da população de rua indica idade média de 40,2 anos. Diminuiu o total de menores de idade vivendo nas ruas: são 448 crianças e adolescentes ? passavam dos 700 no ano 2000.
Jovens e idosos. Por outro lado, aumentou em 7,7% o total de jovens entre 18 e 30 anos e em 7,8% o total de pessoas com mais de 50. Nas ruas da cidade, cerca de 62,1% trabalham com a coleta de materiais reciclados. "Os números foram coletados em épocas de chuva e fim de ano, quando diminui o total de pessoas nas ruas. Precisamos discutir como evitar a ida para a rua", defende Alderon Costa, da organização não-governamental (ONG) Rede Rua.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100601/not_imp559675,0.php

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