Criança a ser adotada não é 'mercadoria', diz Justiça

25 de maio de 2010
Gabriela Moreira
RIO - O Estado de S.Paulo
No Dia Nacional da Adoção, celebrado hoje, juízes, promotores e defensores dos direitos da infância e da juventude levantam um impasse: como fazer com que as adoções atendam aos interesses das crianças e não das pessoas que querem adotar.
"O maior desafio é mudar a cultura em que as pessoas acham que podem escolher crianças como se tivessem escolhendo mercadorias, pela espécie, raça, tamanho e cor", afirma a defensora pública Simone Souza, responsável pela Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Defensoria Pública, do Rio.
A inversão de objetivo faz com que o número de crianças disponíveis seja muito menor que o de adotantes - e, mesmo assim, não se fecha a conta. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há 4.840 crianças para serem adotadas e 27.342 pessoas habilitadas para adotar no País. O número é atualizado diariamente. O que não muda é que sobram nos abrigos as crianças que não atendem às características preferidas por quem adota no Brasil: recém-nascidos, brancos, do sexo feminino.
"Falta a conscientização da população de que adoção não é mais um ato de caridade. É um direito da criança de ter uma família", diz o desembargador Siro Darlan, ex-juiz titular da Vara de Infância e Adolescência do Rio.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100525/not_imp556267,0.php

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