Governo Kassab impõe fome a 2.600 órfãos…

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), está submetendo à fome cerca de 2.600 crianças e adolescentes órfãos atendidos por 102 abrigos e 15 Centros de Referência da Criança e do Adolescente (Crecas). Desde o início do ano, em vez de enviar alimentos, o Governo Kassab manda apenas R$ 2.289 mensais a cada entidade, o que equivale, em média, a R$ 3,80 por dia para as cinco refeições diárias que deveriam ser servidas às crianças. “Esse dinheiro não dá para comprar nem uma coxinha e um suco. As crianças e adolescentes que vivem em abrigos agora correm o risco de passar fome”, afirmou a ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, a promotora Dora Martin Strilicherk, que conduz investigação aberta pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses da Infância e Juventude sobre o corte na alimentação dos órfãos paulistanos.
O Ministério Público calcula que a Prefeitura deveria repassar às entidades o dobro do valor que está mandando. De acordo com o MPE, a situação das entidades, sem os alimentos desde janeiro, é crítica. Não há mais estoques de alimentos sequer para os próximos dias.
Não é a primeira vez que o Governo Kassab corta gastos na área. No ano passado, o prefeito tentou reduzir a quantidade de alimento oferecida às crianças em todas as creches municipais. Em setembro de 2009, a Secretaria Municipal da Educação pediu aos pais de alunos que escolhessem qual refeição sairia do cardápio: o café da manhã ou o jantar. Kassab chegou a dizer que as crianças comiam demais.
“Tecnicamente, há estudos nutricionais. Tanto faz mal comer de menos como demais. Os estudos nutricionais é que têm prevalecido nessas mudanças”, disse o prefeito naquela época. Criticado, recuou. Agora, usa argumento semelhante.
A Secretaria da Assistência Social emitiu nota informando que pretende rever, em prazo indeterminado, o valor do repasse destinado à alimentação dos menores em abrigos conveniados. A nota diz que já está em andamento um estudo para readequação da verba.
“Tal estudo terá como base uma ampla pesquisa de mercado que culminará na atualização do valor da despesa, com efeito retroativo a 1º de janeiro”, afirma a nota.
O Ministério Público desconfia de que não há estudo nenhum, porque há quatro meses pede e não recebe informações da Secretaria da Assistência Social sobre a alimentação para os órfãos. Segundo a Procuradoria, o Governo Kassab mudou as regras em outubro, de maneira informal.
O desinteresse do Governo Kassab pela alimentação dos órfãos é traduzido também por sucessivas mudanças de órgãos responsáveis pela distribuição de alimentos. A Secretaria da Assistência é o terceiro órgão designado pelo prefeito Kassab para tratar disso. De 2008 para cá a tarefa esteve sob responsabilidade da Secretaria de Modernização, Desburocratização e Gestão e, depois, do Departamento de Merenda Escolar da Secretaria de Educação.
05/02/2010
Fonte:http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=9115

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